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Cultura organizacional na prática e alinhada à sustentabilidade

Cultura organizacional na prática e alinhada à sustentabilidade

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Alex Alves, diretor acadêmico do Unicv: “leva tempo para que a cultura seja totalmente incorporada. A consistência, a autenticidade e o compromisso são fundamentais para o sucesso”

Nos últimos anos, o comprometimento com clientes, funcionários e outros públicos ganhou novos contornos, muito além da concepção de produto, serviço ou estratégia de comunicação e venda. Ao voltar o olhar para o cuidado com as pessoas – e com o meio ambiente -, as empresas assumem o propósito de melhorar o mundo.  

“Cultura organizacional refere-se ao conjunto de valores, crenças, normas, comportamentos, tradições e práticas compartilhadas por membros de uma organização. Ela molda a maneira como os indivíduos interagem em uma corporação, com os clientes, com os objetivos da empresa e com o ambiente externo. Afeta todos os aspectos do negócio e desempenha papel fundamental na determinação do sucesso e da longevidade da organização”, explica o diretor acadêmico Presencial/EaD do Centro Universitário Cidade Verde (Unicv), Alex Alves.

Mas a cultura de uma organização não surge do dia para a noite. Para que não se torne apenas um conceito vago, os propósitos e valores devem ser materializados em todos os níveis e presentes na agenda diária de líderes e colaboradores. Aos líderes, segundo Alves, cabem dar exemplo e comunicar consistentemente os valores e a cultura da empresa, além de tomarem decisões em conformidade com estes propósitos. Já os colaboradores precisam adotar e viver os valores em seu comportamento diário e em interações com colegas, clientes e parceiros, contribuir com ideias e buscar o desenvolvimento pessoal alinhado à cultura organizacional e à função.

Neste processo, quem ocupa posição estratégica é o setor de Recursos Humanos, que atua como facilitador e promotor da cultura. “É nesse departamento que deve ‘pesar’ o papel de guardião e ratificar, sempre que necessário, o que está estabelecido nos manuais e definido com os superiores”, ressalta.

Além de manuais, treinamentos e incentivos são fundamentais para garantir que os valores e comportamentos sejam internalizados pelos funcionários e estejam presentes no dia a dia. “Cabe ressaltar que as boas práticas precisam ser reconhecidas e exaltadas, uma vez que isso reforça que todos estão no caminho estabelecido”, diz.

Se houver mudanças na cultura, é função também do RH nivelar e comunicar as novas regras, inclusive àqueles que estão chegando na empresa. Já no recrutamento os valores devem ficar claros e deve-se observar se o candidato tem perfil alinhado à cultura.

Aliás, a cultura organizacional deve ser revisitada, pois, segundo o diretor, não se pode esquecer aonde se quer chegar e como a empresa quer ser vista. Para isso, esse processo deve ser constantemente “repetido/reafirmado”. “Para inserir ou estruturar uma cultura organizacional, é preciso envolver os gestores para definir valores e plano de comunicação. Lembrando que a liderança deve ser o exemplo dos valores”, ensina o diretor.

O próximo passo é envolver a comunidade interna e criar manuais, uma vez que sem um repositório de regimentos e normas escritas, as visões e processos podem ser esquecidos. Depois vem a parte dos treinamentos, avaliações, ajustes e integração. “Leva tempo para que a cultura seja totalmente incorporada em todos os aspectos da empresa. A consistência, a autenticidade e o compromisso são fundamentais para o sucesso”, finaliza. 

 

Compromisso assumido

Em setembro de 2015, os 193 países-membros da Organização das Nações Unidas assinaram o documento “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. No documento estão os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e suas 169 metas para erradicar a pobreza e promover vida digna.

Entre as empresas maringaenses que assumiram o compromisso de realizar ações alinhadas aos objetivos sustentáveis está o escritório Sleder, Marcussu & Advogados Associados, que atua em vários ramos do Direito há 21 anos. “Tudo começou com a criação de seis comissões internas que abrangem responsabilidade social, ambiental, gestão de talentos, comissão da mulher, podcast e desenvolvimento de conhecimento em uma iniciativa idealizada pelos fundadores Rosângela e Neldemar Sleder”, explica a advogada associada, Andressa Borges da Silva.

Depois, vieram as ações práticas que envolveram a equipe, atualmente formada por 42 colaboradores, sendo 20 advogados. No âmbito social, o destaque fica por conta do bazar realizado com roupas doadas pelos próprios colaboradores. “Com os valores arrecadados no bazar, compramos brinquedos para crianças. Já as roupas não reutilizadas são doadas a instituições locais”, conta.

Em contribuição à preservação do meio ambiente, o escritório reaproveita a água do ar-condicionado para regar as plantas. Também foram instaladas placas solares no imóvel e a frota de veículos é exclusivamente abastecida com álcool. “Essas ações resultaram numa conscientização dos colaboradores sobre o uso dos recursos naturais, a necessidade do cuidado com o meio ambiente e cuidado com o bem-estar”, explica a advogada, acrescentando que, ao aderir às práticas sustentáveis, o escritório influenciou também os familiares dos colaboradores. 

A nova cultura organizacional, com o suporte de uma consultoria, garantiu a certificação Selo ODS, do Instituto ACIM. Na primeira participação, em 2021, a Sleder, Marcussu & Advogados Associados recebeu o selo prata. No ano passado, veio o ouro. “O selo é importante porque permite que clientes com os mesmos propósitos sustentáveis nos reconheçam e fechem contratos. Também buscamos a certificação para motivar e aperfeiçoar as práticas do escritório, bem como para validar as atividades sociais e sustentáveis”, explica Andressa.

 

Certificação prata

Quem também ostenta o Selo ODS é a Exclusiva Terceirizações e Temporários, fundada em 1989 para prestar serviços terceirizados e temporários em território nacional. Depois de dois anos consecutivos de selo prata, a meta é alcançar o ouro, diz a coordenadora de Recursos Humanos (RH), Fernanda Pereira Inhoque.

A empresa possuía projetos de impacto social e ambiental alinhados às metas de ODS. Mas precisou ir além. Até porque, ao contrário do que acontecia há alguns anos, quando a preocupação das corporações era apenas aumentar a produtividade e os lucros, hoje há um consenso de que é importante proporcionar um ambiente favorável para o colaborador, a fim de elevar o clima de confiança, o respeito e, claro, alavancar os resultados das corporações. “Para obter o selo prata, a empresa precisa atender a no mínimo oito objetivos do desenvolvimento sustentável. A Exclusiva conquistou o selo atendendo a 13 objetivos, o que reflete o compromisso com ações de impacto social e ambiental, podendo, também, levar a uma vantagem competitiva sustentável e influenciar a seleção de fornecedores e parceiros de negócios”, pontua Fernanda.

Assim, por meio de treinamentos e mentorias, a equipe adequou as ações e criou projetos, com o envolvimento dos colaboradores. “Isso aumentou o sentimento de pertencimento à empresa e ao propósito”, diz. 

A empresa passou a fazer a separação do lixo orgânico e reciclável, bem como um trabalho de conscientização com os quase 300 colaboradores sobre a importância do descarte correto. Outra mudança foi a implementação de nova política de cargos e salários que trouxe equidade e transparência. Os critérios para determinar os salários e as promoções foram definidos, eliminando possíveis disparidades e favorecendo a justiça. 

A Exclusiva realiza, ainda, campanha anual de apoio aos vulneráveis, por meio da arrecadação de doações dos colaboradores. “Esta iniciativa suscitou um senso de solidariedade”, destaca a coordenadora de RH. 

Além dos colaboradores, a Exclusiva conseguiu o engajamento de terceirizados e o envolvimento de clientes por meio de um projeto que visa à destinação de esponjas usadas para reciclagem. Alguns permitiram a instalação de lixeiras exclusivas para o descarte de esponjas que, depois de coletadas, são enviadas para o Instituto Ambiental de Maringá. “Essas ações criam um ambiente estável e próspero. Ao terem sua rotina profissional e pessoal impactada positivamente, os colaboradores trabalham mais satisfeitos, o que se reflete no rendimento e na qualidade do serviço prestado ao cliente. Isso não apenas melhora a confiança da organização, mas pode atrair clientes e novos talentos”, conclui Fernanda.

 

Foco na excelência em gestão

A Accion - empresa especializada no desenvolvimento de software ERP – tem um histórico de participação ativa em programas de aperfeiçoamento de gestão, e melhoria da qualidade dos produtos, serviços e processos. “A empresa mantém compromisso com o desenvolvimento da cultura organizacional, liderança e equipe, estabelecendo parcerias com consultores e se envolvendo ativamente em programas oferecidos pela ACIM, Sebrae, FNQ, GPTW e Softex”, cita o diretor de Tecnologia, Adilson Lugli.

Programas como o Excelência no Nível Empresarial (ENE), lançado em abril pela ACIM, são vistos como oportunidade para seguir trilhando a jornada de aprimoramento. Líderes e colaboradores participam de workshops e depois colocam em prática por meio da implementação das melhorias. 

Atualmente, os esforços estão concentrados em duas frentes. A primeira é na otimização dos processos e reorganização dos recursos relacionados à gestão do conhecimento e da comunicação. A segunda, em investimentos na capacitação de novas lideranças, alinhando-se à visão de crescimento da empresa. 

Há 23 anos no mercado, a Accion atende mais de 300 organizações, incluindo indústrias de metais sanitários e do setor moveleiro, distribuidoras e empresas focadas na melhoria e gestão da inovação. “A busca da excelência em gestão é capaz de impactar e inspirar os clientes. O cerne da nossa missão é aprimorar a competitividade dos clientes por meio da tecnologia, inovação e atitudes vencedoras. Nossos clientes avaliam nosso atendimento com NPS (Net Promoter Score) acima de 9, o que é um índice alto se comparado a outras empresas do setor”, comemora. 

Isto é possível devido ao alto grau de qualificação e engajamento dos 70 colaboradores e pelo ambiente de trabalho. Há mais de cinco anos é considerada uma organização exemplar para se trabalhar, agraciada com a certificação e prêmios do Great Place to Work (GPTW). Além disso, recentemente, conquistou a certificação ‘Lugares incríveis para trabalhar’, da FIA/FEEX.

 

Meritocracia e inovação

Da jornada de trabalho regular aos horários flexíveis, da hierarquia à autonomia, da formalidade à descontração. De fato, o ambiente de trabalho mudou, mostrando que a atenção dispensada aos colaboradores ganhou novos contornos. Fundada há três anos, a Modulus Empresarial nasceu alinhada aos ‘novos’ valores de gestão. 

Os cerca de 30 colaboradores e prestadores de serviço compartilham um ambiente descontraído e amigável, de integração e apoio. Além disso, são estimulados ao aprimoramento, crescimento e empoderamento. Já para um futuro breve, a ideia é implantar um plano de cargos e salários, redefinindo função, atribuições e remuneração. “Nossa cultura é construída em torno de líderes em vez de chefes. A meritocracia é um valor essencial, onde o reconhecimento e a recompensa são atribuídos com base no desempenho e nos resultados. Isso cria um ambiente de competição saudável e motivação”, explica o sócio João Adolfo Stadler Colombo.

Para os gestores, ter uma equipe treinada e atualizada é essencial para alcançar os objetivos organizacionais. “Isso contribui para o crescimento profissional individual, mas também para a melhoria a empresa”, afirma Colombo.

A cultura organizacional é profundamente orientada para a inovação, com investimentos na aquisição de ferramentas para garantir eficiência e excelência em automação. “A empresa tem uma visão pró-ativa em evitar erros, retrabalho, perdas de prazos, bem como evitar incorrer em multas ou juros que possam impactar negativamente a relação com os clientes. Por isso, implantamos rigorosos controles internos e procedimentos para minimizar riscos e garantir a conformidade”, diz.

A Modulus Empresarial, assim como a Accion, participa de programas como o Excelência no Nível Empresarial (ENE) e tem acesso a materiais chancelados por consultores sobre pautas relevantes para o planejamento estratégico. Os materiais são compartilhados com todos os colaboradores. O sócio também ressalta o network, já que a participação no programa possibilita a interação com empresas de outros segmentos. “Isso nos mantém na trajetória de expansão, que é um de nossos principais objetivos”, finaliza.

 

Os 17 ODS da ONU: erradicação da pobreza; fome zero e agricultura sustentável; saúde e bem-estar; educação de qualidade; igualdade de gênero; água potável e saneamento; energia limpa e acessível; trabalho decente e crescimento econômico; indústria, inovação e infraestrutura; redução das desigualdades; cidades e comunidades sustentáveis; consumo e produção responsáveis; ação contra a mudança global do clima; vida na água; vida terrestre; paz, justiça e instituições eficazes; e parcerias e meios de implementação.