O Brasil debate a jornada de trabalho e o modelo conhecido como escala 6x1. Trata-se de um tema que mobiliza a sociedade, o Congresso Nacional e diversos setores da economia, como, de fato, merece.
A busca por melhores condições de trabalho e mais qualidade de vida para os colaboradores é legÃtima e faz parte da evolução das relações trabalhistas no paÃs. No entanto, essa discussão precisa ser tratada com responsabilidade econômica, equilÃbrio e diálogo.
Reduzir a jornada de trabalho de forma linear e por lei, sem considerar as peculiaridades de cada setor e empresas, gerará impactos importantes sobre a economia e o emprego. Quando a jornada é reduzida mantendo-se o salário mensal, o custo para as empresas aumenta. Esse cenário pressionará margens, reduzirá investimentos e afetará a geração de empregos, sobretudo nas micro e pequenas empresas, que são as maiores empregadoras do paÃs.
Com custos mais elevados para as empresas, produtos e serviços tendem a ficar mais caros — e, no fim, essa conta retorna para a própria sociedade, atingindo consumidores, trabalhadores e empresários.
Outro fator que precisa ser considerado é a estrutura da economia brasileira. Grande parte das empresas é formada por pequenos e médios negócios, que operam com margens apertadas e forte intensidade de mão de obra. Uma mudança abrupta na jornada pode provocar impactos significativos e, em alguns casos, comprometer a sobrevivência dessas empresas.
Há ainda um desafio estrutural importante: a produtividade. O Brasil produz menos riqueza por hora trabalhada do que economias desenvolvidas. Enquanto paÃses como o Reino Unido geram cerca de US$ 59 por hora trabalhada, no Brasil esse valor gira em torno de US$ 21. Esse dado evidencia um gargalo histórico que precisa ser enfrentado antes de mudanças profundas na jornada de trabalho.
O caminho responsável passa por três pilares principais. O primeiro é estimular o aumento da produtividade por meio de inovação, qualificação profissional, tecnologia e modernização da economia. O segundo é a redução dos encargos sobre a folha de pagamento, que representam um peso significativo para as empresas brasileiras, limitam a geração de empregos formais e impactam diretamente o salário do trabalhador. E o terceiro é o fortalecimento da negociação coletiva, permitindo que trabalhadores e empresas construam soluções adequadas às particularidades de cada atividade econômica.
Avançar na melhoria das condições de trabalho é fundamental. Porém, esse avanço precisa ocorrer de forma sustentável, preservando empregos, incentivando a competitividade e fortalecendo o crescimento econômico do paÃs.
Reduzir a jornada sem um debate amplo e responsável pode trazer consequências indesejadas e colocar em risco milhares de negócios. O Brasil precisa evoluir nas relações de trabalho, mas com equilÃbrio, diálogo e responsabilidade.
José Carlos Barbieri é presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim)

