Apartamentos compactos ganham espaço em Maringá ao atender diferentes perfis e são a aposta da Yticon, conta o diretor Luiz Rogério Venturini
Maringá vive um momento expressivo no mercado imobiliário: são 109 prédios em construção simultaneamente, o maior número registrado, segundo levantamento do Sinduscon/PR-Noroeste realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O número evidencia o ritmo acelerado da verticalização e a diversidade de empreendimentos.
O mapeamento aponta 11.933 apartamentos em construção, que somam 1,52 milhão de metros quadrados de área edificada. Aproximadamente metade das unidades possui até 55 metros quadrados, evidenciando a força dos imóveis compactos.
O crescimento do setor também impacta diretamente a economia local. A construção civil emprega cerca de 11 mil trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a 6,5% dos empregos formais, um percentual superior à média do Paraná. Apenas em janeiro foram criadas 495 vagas no setor.
Para o presidente do Sinduscon/PR-Noroeste, Marcos Mauro, Maringá mantém um ambiente favorável ao desenvolvimento da construção civil. “A cidade reúne crescimento econômico, planejamento urbano e uma demanda constante por moradia”, afirma.
ACESSO À MORADIA

“A verticalização se consolidou como uma resposta natural ao adensamento da cidade”, afirma Leonardo Fabian, da Plaenge
Entre as principais tendências está o crescimento dos apartamentos compactos. A Yticon, empresa do grupo A.Yoshii, aposta na diversidade de públicos atendidos por esse tipo de empreendimento. Segundo o diretor comercial do grupo, Luiz Rogério Venturini, os compactos se destacam pela versatilidade. “São apartamentos que atendem desde quem está comprando o primeiro imóvel a investidores e pessoas que moram sozinhas”, explica.
O avanço desse modelo reflete a adaptação às novas dinâmicas de mercado. O foco passa a ser a inteligência dos espaços, com projetos que priorizam funcionalidade e dialogam com o estilo de vida do cliente. O principal público ainda é formado por casais jovens em busca do primeiro imóvel, mas cresce o interesse de investidores que veem no imóvel uma alternativa segura de aplicação financeira. “Muitos investidores voltaram a olhar para o imóvel como um investimento seguro. A redução da taxa Selic pode impulsionar tanto a compra do primeiro imóvel quanto a aquisição de unidades para geração de renda”, observa Venturini.
A empresa prevê lançamentos em Maringá neste ano.
SOFISTICADO E DIVERSIFICADO

Em 24 horas, Evense vendeu 90% das unidades de um empreendimento, diz Michel Felippe
O avanço da verticalização também reflete a maturidade do mercado imobiliário local. Para o superintendente da Plaenge, Leonardo Fabian, o momento vai além do aumento no número de prédios. “Maringá vive um ciclo de maturidade do mercado. A verticalização se consolidou como uma resposta natural ao adensamento da cidade e à busca dos moradores por proximidade a serviços, mobilidade e segurança”, afirma. Com quase 20 anos de atuação em Maringá, a Plaenge já lançou 27 prédios na cidade, sendo que 21 foram entregues.
Segundo Fabian, o mercado também está seletivo. Compradores analisam com atenção a qualidade dos projetos, e empreendimentos com arquitetura autoral, plantas funcionais e áreas comuns bem planejadas tendem a apresentar melhor desempenho de vendas.
A demanda se divide entre famílias que buscam apartamentos maiores, com três suítes e ambientes integrados, e casais jovens que procuram unidades com até 110 metros quadrados, com áreas comuns modernas e tecnologia embarcada.
Outro movimento é o crescimento de investidores de longo prazo interessados principalmente em unidades menores bem localizadas, com potencial de renda e valorização.
NOVOS CONCEITOS DE MORADIA

Gabriel Vecchi, da Agave Casa: “agora vemos construtoras mais ousadas, com projetos tecnológicos e alinhados a tendências internacionais”
No caso da Evense Construtora e Incorporadora, a aposta está em empreendimentos que concentram lazer, serviços e tecnologia dentro do condomínio. “Queremos que o cliente encontre no próprio condomínio facilidades que elevem a qualidade de vida, com infraestrutura de lazer, tecnologia e soluções sustentáveis”, afirma Michel Felippe.
Entre os diferenciais dos projetos estão usina solar, captação de água da chuva, biofilia e soluções tecnológicas que permitem gerenciar acessos e receber encomendas diretamente pelo celular.
A receptividade do mercado pode ser observada no desempenho de vendas do Giardini, que teve 90% das unidades comercializadas em 24 horas após o lançamento. “Esse resultado é consequência de um produto bem concebido, aliado a uma localização estratégica e condições competitivas no momento do lançamento. Houve também forte identificação do público com o conceito do empreendimento”, explica.
A empresa deve lançar ainda neste ano o La Vie Concept, um compacto de luxo com metragem otimizada e infraestrutura de lazer e serviços.
ARQUITETURA E DESIGN
O crescimento da construção impulsiona setores como arquitetura e design de interiores. Para o CEO do Grupo OCA, responsável pela marca Agave Casa, Gabriel Vecchi, o momento revela uma mudança no perfil dos projetos. “Maringá sempre foi uma cidade em constante construção, mas agora vemos construtoras mais ousadas, com projetos tecnológicos e alinhados a tendências internacionais”, afirma.
Esse movimento ampliou o público interessado em design e decoração. Se antes o segmento estava concentrado em empreendimentos de alto padrão, hoje também alcança apartamentos compactos e studios. “Mesmo unidades menores exigem mobiliário bem pensado, principalmente quando o imóvel é destinado à locação ou a modelos de short stay (curta estadia)”, explica.
Entre as tendências estão o uso de materiais naturais, iluminação em LED, automação e mobiliário de design autoral. Segundo Vecchi, o consumidor está atento à identidade dos espaços e à qualidade dos produtos.
MAIS PRÉDIOS
Em 2025 foram entregues 23 prédios em Maringá, somando 2.511 apartamentos e 327 mil metros quadrados de área construída. Para os próximos anos, o ritmo deve continuar acelerado: há 25 projetos em fase de aprovação ou lançamento, que devem ofertar mais 4.509 unidades residenciais.


