“A experiência do paciente passou a ser considerada desde a concepção do projeto”, diz André Valêncio, cujo escritório projetou mais de 150 mil metros quadrados para a área da saúde
A busca por qualidade de vida, diagnóstico precoce e tratamentos especializados tem impulsionado uma onda de investimentos na área da saúde em Maringá. A expansão de hospitais, clínicas e centros especializados revela uma transformação no setor, que acompanha tanto a evolução da medicina quanto as mudanças no comportamento da população. Estruturas modernas, integração de serviços, tecnologias avançadas e projetos arquitetônicos voltados ao bem-estar do paciente fazem parte deste cenário. A cidade, que é referência regional em médicos, passou a atrair pacientes de diferentes regiões do Paraná, do interior de São Paulo e até do Centro-Oeste.
Para o arquiteto André Valêncio, da Valêncio Arquitetura e Engenharia, que há mais de três décadas desenvolve projetos para hospitais, clínicas e laboratórios, o crescimento da infraestrutura acompanha a própria evolução da medicina na cidade.
O escritório acumula mais de 150 mil metros quadrados em projetos voltados a estabelecimentos de saúde. Segundo ele, a ampliação das estruturas reflete tanto a modernização dos tratamentos quanto a consolidação de Maringá como um centro regional de especialidades médicas. “O município passou a concentrar profissionais e serviços especializados, o que ampliou muito a procura por atendimento. Hoje pacientes de diversas regiões procuram tratamento na cidade”, afirma.
Outro aspecto que ganhou relevância é a humanização dos ambientes hospitalares. Elementos como iluminação natural, presença de vegetação e estudos de cores passaram a fazer parte do planejamento arquitetônico para criar espaços acolhedores. “A experiência do paciente passou a ser considerada desde a concepção do projeto. A arquitetura também contribui para reduzir o estresse e melhorar o bem-estar durante o atendimento”, explica.
TECNOLOGIA E ESPECIALIZAÇÃO

“Oftalmologia é uma das especialidades mais dependentes de equipamentos de alta tecnologia”, afirma Edna Almodin, do Provisão Hospital de Olhos
Esse movimento também pode ser observado em projetos hospitalares completos e integrados. Um exemplo é o Provisão Hospital de Olhos, idealizado pela oftalmologista Edna Almodin e pelo médico Gilberto Almodin.
A estrutura reúne consultórios, exames diagnósticos e centro cirúrgico em um único espaço. O projeto começou a ser desenvolvido há cerca de uma década, quando os profissionais perceberam a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento e acompanhar a rápida evolução da medicina. “O perfil da assistência médica estava mudando e era necessário investir em uma estrutura capaz de reunir tecnologia, especialistas e acolhimento ao paciente em um mesmo lugar”, resume Edna.
O hospital conta com 6,2 mil metros quadrados, oito salas cirúrgicas e 27 consultórios. A equipe reúne especialistas em áreas como catarata, retina, glaucoma, cirurgia refrativa e plástica ocular.
O modelo permite que o paciente realize consultas, exames e procedimentos no mesmo local, uma facilidade importante principalmente para quem vem de outras cidades. São 15 médicos especialistas atuando no hospital.
Além da assistência médica, o complexo desenvolve atividades de ensino e pesquisa, com cursos para médicos e iniciativas voltadas à formação em áreas como cirurgia refrativa e reprodução humana. Segundo Edna, a tecnologia é um dos principais motores de investimento na área. “A oftalmologia é uma das especialidades mais dependentes de equipamentos de alta tecnologia, muitos importados e constantemente atualizados. Sempre buscamos trazer para Maringá as técnicas mais recentes”, afirma.
O aumento da procura por serviços médicos também está ligado às transformações no estilo de vida. No caso da saúde ocular, o uso intensivo de telas eletrônicas contribui para o crescimento de problemas de visão. De acordo com a especialista, fatores como sedentarismo, alimentação inadequada e pouca exposição à luz solar também impactam diretamente a saúde dos olhos, especialmente entre os mais jovens.
Estudos internacionais indicam que, até 2050, cerca de metade da população mundial poderá desenvolver miopia, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento médico.
ATENDIMENTO ACESSÍVEL

Dr. Atende foca em consultas com agendamento rápido e serviços odontológicos com preços acessíveis; mais de 5 mil atendimentos por mês, conta Rosley Silva
Fundada em 2016, a rede Dr. Atende oferece consultas, exames e serviços odontológicos em um único local com preços acessíveis. São duas unidades em Maringá, responsáveis por mais de cinco mil atendimentos por mês. “A proposta sempre foi oferecer atendimento completo em um único espaço, permitindo que o paciente resolva consultas, exames e procedimentos odontológicos sem precisar se deslocar para diferentes locais”, explica Rosley Silva, sócio de Rodolfo Rocco.
Entre as especialidades mais procuradas estão dermatologia, endocrinologia, oftalmologia e procedimentos odontológicos, como implantes e próteses. A agilidade no atendimento também é um diferencial do modelo. “As consultas normalmente são agendadas em até 24 horas e também atendemos aos sábados, o que facilita para quem trabalha durante a semana”, destaca. Na clínica, as consultas custam a partir de R$ 100.
Segundo os empresários, o crescimento das clínicas populares está diretamente relacionado ao aumento dos custos dos planos de saúde e à busca por alternativas para manter o acompanhamento médico.
A rede também está em expansão e recentemente inaugurou uma unidade em Sarandi. No total, as clínicas contam com mais de 35 médicos e 10 dentistas.
AMPLIAÇÃO DA CAPACIDADE

Santa Casa de Maringá receberá R$ 28 milhões para construção da primeira fase de prédio que oferecerá hemodiálise, pronto atendimento, urgência e emergência
A Santa Casa de Maringá representa esse avanço da saúde ao combinar sustentabilidade financeira, planejamento e expansão. Desde a criação da operadora Santa Casa Saúde, na década de 1990, a instituição estruturou um modelo que equilibra o atendimento ao SUS, responsável por 60% da capacidade, e os serviços privados, garantindo condições contínuas de investimento.
Com essa base consolidada, o hospital definiu um plano diretor para os próximos cinco anos, que prevê a ampliação da capacidade instalada dos atuais 302 para 450 leitos, acompanhando o crescimento da demanda da macrorregião que reúne 115 municípios.
Em março, o governo do Paraná anunciou R$ 28 milhões destinados à construção da primeira fase de um novo prédio de 4,1 mil metros quadrados. A estrutura contemplará a ampliação dos serviços de hemodiálise, pronto atendimento e áreas de urgência e emergência adulto e infantil; os recursos virão da Secretaria da Saúde do Paraná e da Assembleia Legislativa do Paraná.
Para o superintendente José Pereira, o avanço reflete o papel da instituição no sistema de saúde regional. “Esse investimento fortalece nossa capacidade de atendimento e nos permite avançar com mais qualidade e agilidade. Crescer de forma planejada é essencial para acompanhar a demanda e manter o compromisso com a população”, afirma.

