“A NR-01 virou o guarda-chuva do gerenciamento de riscos das outras 37 normas regulamentadoras”, afirma George Coelho, da Medivo
Embora a atualização tenha ocorrido em 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego fixou um período de adaptação iniciado em 26 de maio de 2025, válido por um ano, até maio de 2026, em que prevalece a orientação em vez da autuação.
Isso significa que a nova NR-01 está prestes a sair do campo das discussões técnicas para entrar definitivamente na rotina das empresas. E o que está em jogo vai além do cumprimento legal: envolve produtividade, redução de passivos trabalhistas e previdenciários e, sobretudo, a capacidade de gerenciar riscos ocupacionais.
Para George Coelho, empresário com atuação consolidada na área de Medicina e Segurança do Trabalho, escritor e fundador da Medivo, empresa que neste ano completa 20 anos de atuação, a NR-01 deixa de ser uma norma acessória para se tornar o verdadeiro eixo da gestão de SST. Advogado e ergonomista certificado pela Abergo (Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos), com chancela internacional da IEA – International Ergonomics Association, Coelho afirma que a mudança exige mais do que adequação técnica: exige maturidade de gestão.
“A NR-01 era uma norma de disposições gerais e virou um guarda-chuva do gerenciamento de riscos de todas as outras 37 normas regulamentadoras. Ela consolida o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como um processo contínuo, metodológico e comprovável, formalizado por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)”, explica.
À frente de uma empresa que atua nacionalmente, ele afirma que a principal mudança não está no texto, mas na forma como o risco passa a ser tratado nas organizações. “Sai o modelo de checklist e entra uma lógica técnica e científica de priorização baseada em gestão de risco, com evidência, acompanhamento e revisão sempre que houver mudanças no processo, no ambiente ou nas pessoas”, afirma.
Riscos psicossociais
Outro ponto inédito é a inclusão dos fatores de risco psicossociais dentro do GRO. “Durante muito tempo, riscos psicossociais foram vistos como subjetivos, associados apenas a clima organizacional ou bem-estar. A NR-01 muda essa lógica e o risco psicossocial passa a ser tratado como risco ocupacional, com impacto econômico, jurídico e humano. Agora o que importa é a coerência entre diagnóstico, plano de ação e execução”, pontua.
O impacto dessa mudança é especialmente relevante em setores como instituições financeiras, na área da saúde, educação, call center, varejo e serviços, onde a pressão por desempenho e a exposição a situações de conflito fazem parte da rotina de trabalho. Nesses contextos, a ausência de um gerenciamento estruturado pode se traduzir em aumento de afastamentos, alta rotatividade, queda de produtividade e crescimento do passivo trabalhista e previdenciário.
Mas também é preciso cuidado para evitar interpretações equivocadas. “Risco psicossocial não é sinônimo de saúde mental isoladamente. Ele está ligado à forma como o trabalho é organizado, às exigências impostas, às relações e ao ambiente”, afirma o diretor da Medivo. Por isso, a norma reforça a necessidade de integração com outras frentes, como ergonomia, liderança e gestão de pessoas, sob pena de o PGR se tornar apenas mais um documento formal. A Medivo desenvolveu a solução exclusiva Radar Psicossocial e já avaliou mais de 300 empresas e 16 mil trabalhadores em todo o Brasil, atendendo completamente a NR-01.
Estratégia de gestão
e proteção
Por conta da NR-01, o PGR passou a ocupar espaço nas reuniões de diretoria e até de conselhos empresariais. Mais do que um documento obrigatório, ele se consolida como instrumento de gestão. “Um PGR bem estruturado reduz surpresas em fiscalizações e perícias. Ele demonstra que a empresa identificou, avaliou e tratou seus riscos com método”, afirma.
A mudança também impacta o campo jurídico. Programas frágeis ou meramente formais abrem brechas nas esferas trabalhista, previdenciária e administrativa. Sem rastreabilidade e evidências, aumentam os riscos de discussões sobre nexo causal, indenizações, estabilidade acidentária e autuações. Em auditorias e processos, prevalece a consistência técnica: inventário de riscos, critérios claros, plano de ação e revisão contínua.
Além da conformidade legal, os ganhos são operacionais. A gestão estruturada tende a reduzir afastamentos, diminuir rotatividade e trazer previsibilidade aos processos. “Empresas que entenderem isso agora não estarão apenas adequadas. Estarão preparadas”, resume Coelho.
Benefícios comprovados

Marcos Roberto dos Santos, da Nipponflex: “a nova NR-01 apenas reforçou aquilo que já praticávamos”
A formalização do GRO foi um passo natural na busca contínua por prevenção e foi facilitada pela assessoria da Medivo. “Sempre tivemos atenção à segurança. O GRO trouxe mais organização e clareza aos processos.”
Entre os ganhos estão maior previsibilidade, reforço da segurança jurídica e padronização das rotinas. Já a inclusão dos riscos psicossociais exigiu mobilização interna, com treinamentos e alinhamento das equipes. O movimento dialoga com o lema da empresa: “Todos cuidando de todos.”
“Podemos falhar como humanos, mas quando temos alguém ao lado para nos ajudar a levantar, o ambiente fica mais leve. É isso que buscamos também no trabalho: apoio, responsabilidade compartilhada e disposição para cuidar e ser cuidado”, pontua Santos.
Ele destaca ainda o papel estratégico da Medivo. “É um trabalho personalizado, construído com a empresa. Eles entendem nossas particularidades e oferecem segurança técnica em um momento de maior rigor regulatório. É uma parceria que entrega método, acompanhamento e confiança”, finaliza.

