O empresário Luciano Hang, conhecido como o “Véio da Havan”, dificilmente passa despercebido quando viaja pelo Brasil. Em Maringá não foi diferente. A passagem do fundador da Havan pela cidade, para inaugurar a terceira loja da rede no final de fevereiro, atraiu uma multidão. Na véspera da inauguração, Luciano Hang participou de ações de cuidado urbano. Primeiro, ajudou a limpar a marginal de um viaduto próximo à nova loja. Depois, vestiu macacão de pintor para cobrir pichações no mesmo local, em um gesto de conscientização sobre a preservação dos espaços públicos.
Durante a inauguração, como de praxe, Hang permaneceu horas no local, conversando com clientes. A nova unidade é a 189ª da rede no Brasil e a 34ª no estado.
Fundada em 1986, em Brusque/SC, a Havan se consolidou como uma das maiores redes varejistas do país e se aproxima da marca de 200 lojas em operação. A empresa projeta alcançar 25 mil colaboradores neste ano e mantém um plano contínuo de expansão.
Hang se consolidou como um empresário que extrapola o universo corporativo e participa ativamente do debate sobre economia, política e desenvolvimento do Brasil. Em conversa com a Revista Acim, o empresário comenta a estratégia de crescimento da companhia, os desafios do ambiente econômico, o comportamento do consumidor e o papel das lojas físicas:
A terceira unidade da Havan em Maringá reforça sua aposta na cidade. O que o senhor enxerga no ambiente econômico e empresarial da região que justifica a expansão?
Maringá é uma cidade diferenciada, de um povo trabalhador. Quando a gente abre três lojas numa mesma cidade, é porque acredita no potencial dela. O Paraná sempre acreditou na Havan e a Havan acredita no Paraná, tanto que essa megaloja foi a de número 34 no estado. É uma cidade que cresce com planejamento e isso dá segurança para investir.
A Havan está prestes a atingir 200 megalojas no Brasil. Crescer nesse ritmo em um cenário econômico ainda desafiador é ousadia ou estratégia de longo prazo?
A Havan vai na contramão do mercado, porque temos visão estratégica, pensamos a longo prazo. Já passamos por diversas crises econômicas e sempre soubemos frear no momento certo para seguir com tranquilidade, colhendo os frutos de um trabalho com planejamento e ‘pé no chão’. Não chegamos aqui por impulso, mas por estratégia. Investimos mesmo em momentos difíceis, porque é justamente quando muitos param que surgem as oportunidades. Quem planta na crise, colhe na retomada. Sempre foi assim.
O senhor projeta alcançar 25 mil colaboradores em 2026. Como manter a cultura organizacional forte e alinhada com um time desse tamanho?
Cultura não nasce do tamanho da empresa, nasce do exemplo. É repetição, é reforçar todos os dias a mesma mensagem. Estou presente também nas lojas, converso com os colaboradores, participo das inaugurações e valorizo quem veste a camisa, quem se esforça diariamente e ajuda a construir o sucesso da Havan. Temos valores claros e investimos fortemente em treinamento e desenvolvimento. Nossa cultura é forte porque não é discurso, é prática.
A empresa afirma pagar o melhor salário do varejo brasileiro. Como equilibrar valorização do colaborador com competitividade e margens sustentáveis?
Para a Havan, salário não é problema, é solução. Quando você remunera bem, treina e valoriza as pessoas, os resultados aparecem. O colaborador motivado vende mais e atende melhor. Claro que eficiência, controle de custos e boa gestão são essenciais, mas nunca abrimos mão de valorizar quem constrói a empresa todos os dias. Hoje oferecemos diversos benefícios aos colaboradores, como o PPR (Programa de Participação nos Resultados), que chamamos de 14º salário, além do 15º, que é o prêmio de assiduidade. Também contamos com vale-alimentação/refeição, telemedicina e licença-maternidade e paternidade estendidas.
Em um momento de debates intensos sobre reforma tributária e ambiente regulatório, o que mais preocupa o empresário brasileiro?
A incerteza. Não está claro ainda se a reforma tributária será realmente boa para coibir a sonegação, melhorar o ambiente para as indústrias brasileiras e, principalmente, reduzir a carga tributária. Na minha visão, deveríamos ter começado por uma reforma administrativa, com a redução da máquina pública e dos gastos do Estado. A partir disso, seria possível diminuir os impostos e tornar o Brasil mais competitivo no cenário internacional. Assim, as fábricas nacionais teriam condições de competir com os países estrangeiros e deixaríamos de exportar empregos dos brasileiros, como infelizmente acontece hoje.
O que o senhor está vendo no comportamento do consumidor brasileiro em 2026? Ele está mais cauteloso ou mais confiante?
O brasileiro nunca perde a esperança, mas está mais atento. Ele escolhe melhor onde gastar. Por isso, a Havan trabalha forte em preço competitivo e variedade. São mais de 350 mil itens em diversos setores para toda a família. Quando o cliente sente confiança e se identifica com a marca, ele compra.
Expansão física ainda é um diferencial na era digital? Qual o papel das lojas físicas dentro da estratégia da Havan?
Loja física é experiência. É passeio em família, é tocar no produto, é sair com a compra na hora. O digital é importante, e a Havan também investe nisso, mas o Brasil ainda valoriza a loja física. Nossas megalojas são destinos, pontos de turismo e, muitas vezes, os shoppings de cidades do interior. Elas geram emprego, movimentam a economia local e fortalecem a marca.
O senhor é um empresário que se posiciona publicamente sobre política e economia. Qual deve ser o papel do empresário no debate nacional?
O empresário não pode se omitir. Quem gera emprego e paga imposto precisa participar do debate. Sempre defendi liberdade econômica, menos burocracia e mais responsabilidade com o dinheiro público. Não é questão partidária, é questão de país. O Brasil que queremos só depende de nós.
O que muda na gestão quando uma empresa assume o status de potência nacional de varejo como a Havan?
Muda a responsabilidade. Quanto maior a empresa, maior é o impacto de cada decisão. Hoje são cerca de 23 mil famílias que dependem da Havan, e essa é uma das minhas maiores preocupações. Por isso, mantemos uma cultura organizacional forte, com processos definidos para garantir o mesmo padrão de atendimento e qualidade em todas as 190 megalojas da Havan espalhadas pelo Brasil.
Em uma frase, o que sustenta o crescimento da Havan ao longo dos anos?
Equipe de qualidade, trabalho duro e coragem para investir.

