Artigos

ESG pelo bem dos negócios e da sociedade

ESG pelo bem dos negócios e da sociedade

153
visualizações

Atividades e práticas nas áreas ambiental, social e governança, o ESG (Environmental, Social and Governance), ou ASG (Ambiental, Social e Governança), vem se popularizando. Uma das explicações é a crescente preocupação dos consumidores com a responsabilidade socioambiental das empresas. Em 2019, pesquisa realizada pela agência norte-americana Union + Webster e divulgada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) mostrou que 87% dos brasileiros preferem comprar de empresas sustentáveis e 70% se disseram dispostos a pagar um pouco mais por isso. 

O mundo dos investimentos também ajuda a explicar essa tendência. De acordo com o relatório sobre ESG da XP Investimentos, realizado em 2020 e atualizado em fevereiro deste ano, no mundo US$ 30 trilhões estão sob gestão de fundos que adotam estratégias sustentáveis.

A fundadora e diretora da consultoria Geração Social, Carolina Braz Pimentel, diz que o termo ESG foi usado pela primeira vez em 2004 pelo Pacto Global e Banco Mundial num convite a instituições financeiras e investidores para refletir sobre a necessidade de incluir no mercado de capitais os fatores abarcados pela sigla. A explicação pode fazer parecer que o tema interesse a grandes corporações apenas, mas o ESG pode ser incorporado pelas micro, pequenas e médias empresas. Na prática trata-se de avaliar os impactos da atividade do negócio e trabalhar para potencializar os positivos, minimizar ou até erradicar os negativos. 

O caminho para a implantação passa por identificar e buscar compreender as expectativas e interesses de colaboradores, clientes, fornecedores e outros públicos afetados pelo negócio, que pode traçar as próprias estratégias para gerir os impactos na sociedade. “É importante também o alinhamento com os princípios do Pacto Global e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).”


Carolina Braz Pimentel, consultora: ESG pode ser incorporado pelas micro, pequenas e médias empresas.

Agente de transformação na Geração Social, Nadheska Rodrigues explica que no eixo ambiental é preciso conhecer os impactos da operação, uso de recursos naturais, mapear a rede de suprimentos para rastrear impactos, possuir ações e metas para reduzi-los. No eixo social deve haver preocupação com políticas e relações de trabalho, de igualdade racial, promoção da igualdade de gênero, ações antidiscriminação, proteção de informação e dados. Com relação à governança, a organização deve ter código de ética e de conduta e disponibilizá-lo aos interessados, práticas antissuborno e anticorrupção, conselhos administrativo, consultivo e de ética, políticas e canais de denúncia amplamente divulgados, práticas antirretaliação. Utilizar a voz da empresa para gerar conscientização atravessa os três eixos.

Para Nadheska, só existem desvantagens na implementação do ESG se a empresa praticar “maquiagem verde”, que é quando há a divulgação de ações que não ocorrem de fato ou quando a organização se utiliza da responsabilidade social para encobrir práticas nocivas. “Possuir práticas de ESG representa diferencial e gera credibilidade. Para quem está crescendo ou planeja ter uma empresa perene e sustentável, apostar em práticas ESG é fundamental não só para atrair investidores, mas para manter consumidores e talentos”, comenta.


Nadheska Rodrigues, consultora: implantação do ESG só tem desvantagem se houver “maquiagem verde” ou quando se utiliza da responsabilidade social para encobrir práticas nocivas

Desde a fundação

Na Cresol, as práticas do ESG vêm sendo adotadas desde o início das atividades, há 26 anos. Segundo o diretor-superintendente Anderson Wolff, se a instituição avançou em média 46% em seus ativos em 2020, há influência das ações do ESG. 

Atualmente os programas e práticas empregados na Cresol atingem mais de 620 mil cooperados e 5 mil colaboradores, distribuídos em 17 estados, seja pela formação e treinamento ou pelo modelo agregador de renda. 

No âmbito social o contato com os colaboradores e cooperados é humanizado. “Engajamos os colaboradores para que tenham o ‘olhar do dono’ e respeito pelas pessoas. Seguimos todas as formas de diversidade, oportunizando trabalho para todos os gêneros e raças, bem como para PCDs”, diz Wolff. Ainda sobre o eixo social, entre as ações estão as de educação financeira que só em 2020 impactaram 10,4 milhões de pessoas.

No aspecto da governança, os órgãos são compostos por conselhos de administração e fiscal, bem como diretoria executiva, além de estruturas de auditorias interna e externa. Os conselhos são formados por cooperados eleitos em assembleias. “Foram R$ 16,8 milhões creditados como juros ao capital social e temos mais de 3 mil empreendimentos urbanos e rurais acompanhados por nossos programas de desenvolvimento”, complementa Wolff sobre as ações de governança. 

A preocupação com o meio ambiente, outro pilar do ESG, também mobilizou ações. Em 2020, foram oito mil voluntários envolvidos em ações socioambientais. Wolff acrescenta que a Cresol promoveu linhas de crédito para os investimentos em projetos de energias renováveis e, associada à Paraná Energias, adquiriu energias de fontes renováveis para as agências diretamente dos produtores que tiveram seus projetos financiados pela cooperativa. 

O diretor diz que a ESG tem atraído investidores mais preocupados com o socioambiental, mas também vem mudando os investimentos da cooperativa: a instituição está empregando na primeira agência de Maringá a certificação HBC (Healthy Building Certificate). De acordo com ele, será a primeira cooperativa do país a ter a certificação relacionada à preservação ambiental, seja por meio de reúso de água ou utilização de energia renovável, e à preocupação com a qualidade do ar, quantidade de emissões sonoras e dos materiais utilizados nos ambientes da cooperativa. “Chega ao nível de medir a radiação emitida pelas pedras utilizadas em nossas construções, tipo e cores de tintas, presença de exaustores para cada impressora e filtros de água, além de outros itens verificados para se obter a certificação”, detalha.

Para Anderson Wolff, da Cresol, a cooperativa cresceu em média 46% nos ativos por influência do ESG

Inclusão nas estratégias

Os temas inerentes ao ESG fazem parte, segundo o presidente do Conselho de Administração do Sicoob Metropolitano, Luiz Ajita, do DNA da cooperativa. “A sustentabilidade, a governança cooperativa, a gestão ética, os aspectos culturais, sociais, ambientais e econômicos são trabalhados fortemente em nosso dia a dia, pois acreditamos que por meio deles garantiremos a perenidade”, diz. 

Desde a fundação da cooperativa, em 1999, práticas ESG são realizadas e aprimoradas conforme a evolução regulatória, a mudança comportamental das pessoas e a necessidade de adotar uma postura mais consciente como empresa. O presidente explica que a responsabilidade socioambiental é considerada na definição das estratégias, negócios e operações e existem indicadores de avaliação definidos e com acompanhamento mensal. 

O tema impacta 679 colaboradores e seus familiares. Já na comunidade, só em 2020, mais de 100 mil pessoas foram alcançadas com projetos e ações sociais. “Além disso, mais de 123 mil cooperados são beneficiados com a nossa maneira de ser e atuar. Se levarmos em consideração que cada cooperado impacta pelo menos mais três pessoas de seu convívio, como amigos e familiares, esse número é infinitamente maior”, ressalta Ajita.

Dentre as iniciativas ambientais, sociais e de governança, Ajita destaca: programa de coleta de pilhas e baterias para descarte adequado; redução da quantidade de impressões de documentos e adesão à assinatura eletrônica; campanhas internas sobre a importância de preservar recursos naturais; economia de água, energia e outros; programas de educação financeira e ambiental; formação de líderes cooperativistas; políticas, manuais, códigos de ética e conduta e normativos internos que garantem a eficiência, ética, integridade, segurança e perenidade da cooperativa, entre outras. 

Sobre os resultados das ações, por exemplo, um programa  formou mais de mil professores, que divulgaram a cultura cooperativista para crianças; instalação de placas fotovoltaicas em seis agências e mais de 1.700 financiamentos de energia fotovoltaica; pelo Instituto Great Place To Work, atualmente, é umas das melhores empresas para trabalhar na América Latina, Brasil e Paraná. 

“Os cooperados enxergam o valor em nossa marca, principalmente o público jovem. Acreditamos que os esforços não são apenas para cumprir normas ou exigências do mercado. Praticar o ESG fortalece a imagem, atrai pessoas alinhadas com nossa filosofia e, consequentemente, crescemos de maneira consistente, segura e desenvolvendo o ecossistema em que estamos inseridos”, acrescenta Ajita.

“Praticar o ESG fortalece a imagem, atrai pessoas alinhadas com a filosofia e crescemos de maneira consistente”, destaca Luiz Ajita,  do Sicoob Metropolitano