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Da arte para os negócios

Da arte para os negócios

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Simone Ganem Kisner Pereira, da Biscuit e Cia MGA, integra o núcleo Ipê Criativo, voltado para designers e criativos

Transformar arte em fonte de renda é um desafio para empreendedores ligados à cultura, principalmente para aqueles sem formação ou experiência em gestão. Com a pandemia, as dificuldades desses artistas empresários foram acentuadas, mas com a ajuda do Empreender, eles puderam trocar informações e desenvolver ações de crescimento em conjunto.

Um dos exemplos é o núcleo Ipê Criativo, voltado para criativos e designers como Simone Ganem Kisner Pereira, da Biscuit e Cia MGA. Ela trabalha com modelagem de porcelana fria, a massa de biscuit, há 17 anos, desde que administrava uma loja de presentes com o marido. Lá Simone se interessou pelo artesanato e passou a ter aulas sobre a técnica. “Me apaixonei por essa massa. Fechamos a loja e continuei com o trabalho em biscuit, atendendo clientes que me procuravam numa época em que só havia o Orkut. Escolhi trabalhar com bonecos personalizados, noivinhos e lembrancinhas. Vendia no boca a boca até que o Facebook abriu as portas para a maior divulgação do trabalho”, relata.

Com o crescimento do negócio graças às redes sociais, Simone percebeu a necessidade de se profissionalizar. Foi quando procurou a ACIM e passou a fazer parte do Empreender, há dois anos. “É uma oportunidade de encontrar pessoas que, como eu, querem deixar de ver o artesanato como hobby e crescer como empresa. Foi maravilhoso encontrar parceiras para falar sobre projetos e aprender com outras experiências. Percebi a importância de melhorar minha técnica e procurei fazer cursos para elevar a qualidade dos produtos”, explica.

Além disso, com as reuniões quinzenais do núcleo e as capacitações, Simone evoluiu como gestora, o que foi essencial para superar as dificuldades da pandemia. Com o setor de eventos paralisado, houve diminuição drástica dos pedidos, mas mesmo sem a possibilidade de grandes festas as famílias continuaram celebrando aniversários e realizando chás de bebê, entre outras comemorações, de forma inusitada. Desse modo, Simone continuou recebendo pedidos e conseguiu manter o negócio.

“Desde 2020 comecei a me interessar mais pela qualidade da produção e capricho nas embalagens. Criei logomarca, investi em divulgação digital e melhorei o atendimento por meio de um canal direto, além das redes sociais. É uma empresa de vários funcionários numa pessoa só. Tive que me capacitar, aprender a estabelecer horários para cada processo e deixar de ver o artesanato como hobby ou renda extra para encará-lo como principal fonte de renda”, detalha Simone. Agora ela faz planos de intensificar a divulgação nos meios digitais e investir na captação de clientes em eventos. Outra forma de divulgação é a página do núcleo no Instagram: @nucleo_ipecriativo, que funciona como vitrine para sua arte.


Sonho virou fonte de renda


Karenn Ticianel é diretora artística do Aéreo Estúdio de Dança e faz parte do núcleo de Escolas de Dança

Diretora artística do Aéreo Estúdio de Dança, Karenn Ticianel tem uma longa trajetória artística. Começou a dançar aos seis anos e nunca mais parou. Graduada em Educação Física e pós-graduada em Dança e Atividades Gímnicas e Circenses, ela descobriu que para gerenciar uma empresa “não se deve pensar como artista, mas como empresário”.

“Como artista, trabalhar no estúdio é a realização de um sonho, mas como empresária tenho que pensar nos custos desse sonho, como manter o negócio e como vender a minha arte”, explica. Foi por isso que ela se juntou ao núcleo de Escolas de Dança, para aperfeiçoar os conhecimentos de gestão. Membro desde a criação do núcleo, em 2017, Karenn viu empresas do setor fecharem na pandemia, enquanto outras procuravam o programa como forma de conseguir apoio. “O Empreender é uma oportunidade de troca de experiências entre empresários que estão passando pelas mesmas situações. Descobrimos o que os outros estão fazendo para superar os mesmos desafios, como se prevenir de problemas e ainda podemos aconselhar”, relata. Essa parceria foi essencial para Karenn adaptar seu negócio à pandemia.

Fundado em 2014, o estúdio atende todos os públicos a partir dos três anos, oferecendo aulas de pole dance, tecido circense, stiletto/chair dance, jazzdance, ballet adulto e infantil, yoga, dança contemporânea e flexibilidade. Para a diretora artística, a principal dificuldade na pandemia foi a adaptação para o ensino remoto, pois a maioria dos alunos não possuía os equipamentos em casa. A solução foi oferecer treinos de alongamento, flexibilidade e força muscular para manter o condicionamento físico. “Quando foi possível voltar presencialmente, tivemos que planejar as aulas, pensando no distanciamento e na higienização dos equipamentos”, destaca. Ela conta que a quantidade de alunos foi reduzida para três ou quatro por aula. No caso de danças que utilizam barra de inox, como o pole dance, a higienização do equipamento é simples, mas a utilização de tecidos foi um entrave, porque a limpeza excessiva poderia danificar o material. “Então recorremos aos pontos móveis. São materiais que permitem descer e subir os tecidos”, explica Karenn - cada tecido ficou guardado em uma embalagem com o nome do aluno. “Mesmo com todas as medidas, perdemos alunos durante a pandemia, principalmente por questões financeiras”, lamenta. Espetáculos também passaram a ser transmitidos de forma online, mas há previsão de retorno presencial, até porque os alunos, em geral, gostam de se apresentar, e os espetáculos são essenciais para divulgar o trabalho das escolas e para a captação de recursos. “Queremos encher todas as nossas salas”, conclui.

Dificuldade de adaptação


Sheila Cristina Hernandes Dias, do Centro Musical Som Maior, integra o Núsica

Migrar para o ensino remoto também foi a principal dificuldade do Centro Musical Som Maior durante a pandemia, segundo a empresária Sheila Cristina Hernandes Dias, que integra o Núsica, o núcleo de escolas de música. A empresa oferece mais de 50 cursos para todos os públicos, inclusive crianças e portadores de necessidades especiais.

“No caso da musicalização infantil estimulamos o desenvolvimento auditivo, visual, verbal, cognitivo e físico. Para alcançar isso, sempre focamos no ensino presencial. Com a pandemia, houve preocupação com um possível prejuízo no aprendizado dos alunos, porque não conseguíamos visualizar como aplicar todos os aspectos e técnicas, e entre os próprios alunos houve dificuldade na aceitação do ensino remoto”, relata Sheila. 

Mas com planejamento, estratégias de gestão e o apoio do Núsica, a escola conseguiu superar as dificuldades. Para que as aulas remotas mantivessem a essência das presenciais, algumas foram transmitidas do Centro Musical e outras das casas dos professores, sempre ao vivo. Além disso, foram disponibilizados equipamentos de gravação e instrumentos musicais para profissionais e alunos que não possuíam. Foi preciso até investir em mais equipamentos para garantir o ensino de qualidade. Ainda assim, houve queda no número de alunos e professores.

Agora cerca de 80% dos 300 alunos estão tendo aulas presenciais. E algo positivo ficou da experiência remota: há flexibilidade entre as formas de ensino, já que o aluno que não pode comparecer em determinado dia, pode realizar a aula online. 

E para quem não faz parte do Empreender, a empresária lança o convite: “o programa possibilita ações em grupo e dá visibilidade para as empresas. É uma forma de levar nossos projetos para mais pessoas”.


Da concorrência à amizade


Vinicius Morimoto é professor e diretor do Centro Musical Morimoto e também faz parte do núcleo de música

O ensino remoto também foi ofertado pelo professor e diretor do Centro Musical Morimoto, Vinicius Morimoto. A escola, que ensina instrumentos de corda e canto, sempre ofertou aulas presenciais individuais, o que facilitou a adaptação para o online. “Para nós foi mais fácil, mas faltaram habilidade técnica e experiência com o ensino remoto. Tivemos que aperfeiçoar nossa didática para manter a qualidade”, explica.

Morimoto conta que a principal perda foi em relação ao ‘Amigos do Jaspion’, grupo de estudos de viola em que os alunos se reúnem para tocar e trocar conhecimentos. O projeto ficou paralisado por dois anos, mas as atividades retornaram em abril, com direito à apresentação na Expoingá.

O empresário também destaca a importância da música para a saúde mental. “Na pandemia percebemos que muitos alunos usaram a música para colocar a ‘cabeça no lugar’. Foi uma forma de reforçarmos a importância das aulas em um momento delicado”. Ainda assim, houve perda de alunos, principalmente dos mais velhos. “Tínhamos que fechar a escola mais cedo, por causa da restrição de funcionamento, e isso é complicado para quem trabalha em horário comercial e só poderia ter aulas à noite”, explica. A escola não precisou dispensar nenhum dos três professores.

Segundo o empresário, fazer parte do Empreender foi essencial para superar as dificuldades. Membro do Núsica há cinco anos, época em que ainda era iniciante no empreendedorismo, ele relata que entrou no programa para trocar experiências com empresários de escolas que admirava, e com a convivência, criou-se amizade entre os então concorrentes. “Todo mundo se ajuda. E o intuito do programa é justamente proporcionar a troca de informações. O faturamento não é o objetivo principal aqui, é uma consequência das ações”, completa.

Para fazer parte do Empreender, o maior programa do gênero na América Latina, basta ser filiado à ACIM. As reuniões costumam ser quinzenais, sempre acompanhadas por consultores. Quem tiver interesse em ingressar em um dos núcleos deve entrar em contato pelo 0800 600 9595. E se não houver um núcleo do setor, os consultores da ACIM ajudam a criar.

Confira as empresas que fazem parte dos três núcleos entrevistados nesta reportagem em www.acim.com.br/empreender#nucleos