Artigos

Um caminho mais curto para o conhecimento

Um caminho mais curto para o conhecimento

220
visualizações
Quando as companhias aéreas começaram a cancelar voos no início da pandemia, houve desencontro de informações e dúvidas, muitas dúvidas. Foi assim que as agências de turismo resolveram adotar uma fórmula que há muito tempo praticavam: a união e a troca de conhecimento entre os integrantes do Núcleo de Agências de Viagens (Navi), do programa Empreender.
“Todas as agências e os próprios viajantes ficaram perdidos, então, os integrantes do núcleo passaram a trocar informações, porque cada um sabia um pouquinho”, lembra Roberta Tranquilini, da Filadelfia Viagens e que há cinco anos faz parte do Navi. “Isso foi fundamental, ajudou meu negócio a se manter em pé mesmo com as vendas zeradas no início da pandemia. Houve união com outras agências e adotei estratégias que me fortaleceram”, relata ela, que planeja mais parcerias com outras agências.

Roberta Tranquilini, da Filadelfia Viagens: “trabalho até hoje com o método que aprendi, que incluiu liderança e organização e permite que as vendas sejam mais fáceis de ser finalizadas”


Não é de hoje que a união tem ajudado o negócio de Roberta. Em grupo, ela teve acesso a conhecimentos importantes. “Já tive capacitações sobre Photoshop, vendas, liderança, planejamento, metodologia, motivação, coach, Direito na área do turismo e muito mais”, conta.
Dentre estas, uma das marcantes foi a metodologia sobre gestão do tempo, que possibilitou aumentar o faturamento. “Trabalho até hoje com o método que aprendi, que incluiu liderança e organização e permite que as vendas sejam mais fáceis de ser finalizadas”, destaca.

Gestão de equipes

Acesso à capacitação e ao conhecimento é um dos pilares do Empreender para os pequenos empresários que integram os núcleos setoriais e multissetoriais. As ‘dores’ e temas de cursos, palestras e workshops são levantados com a ajuda de um consultor da ACIM que acompanha os grupos. Outra rica contribuição aos negócios vem por veio da troca de experiências.
Com a ajuda do núcleo e do conhecimento a que tem tido acesso, Paulo Eduardo Gallo, da construtora OG3, tem registrado melhoria contínua do negócio - ele integra o Núcleo de Engenharia Civil desde 2018. “Não tenho muito tempo para me informar, e essas capacitações encurtam o caminho para o conhecimento. A partir delas vem o entendimento da importância sobre vários aspectos da empresa”, afirma. Um exemplo foi a palestra sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ministrada de forma online neste ano. “A LGPD é o assunto do momento. Precisávamos de um norte sobre como adequar as empresas, então, trouxemos um especialista”, explica. 

Depois de uma capacitação sobre liderança, Paulo Eduardo Gallo, da OG3, implantou mudanças internas que refletiram na cultura da empresa


Os membros do núcleo se reúnem duas vezes por mês de forma online, sendo um bate-papo com um convidado e o outro encontro discute uma pauta com o objetivo de trocar experiências e abordar informações técnicas. Entre os temas abordados recentemente estão marketing digital, inovação e vendas. “São capacitações curtas, com focos em inovação e formação empresarial”, revela. 
Foi graças a uma capacitação sobre liderança, com a participação de profissionais do Núcleo de Coaching, que Gallo fez mudanças internas. “Discutimos sobre como gerir equipes e consegui aplicar na empresa. Essa capacitação refletiu na cultura da OG3”. O empresário faz um convite: “quem não conhece o Empreender deveria conhecer. Há ganhos para todo o setor”.

Associação para franqueadores

No caso de Lisandro Corazza, que é CEO da UPVET, uma metodologia aplicada pelo Sebrae foi adotada na nova sede da rede de manipulação veterinária, em Maringá. A rede tem mais de 30 lojas em 11 estados brasileiros.
Em 2018, Corazza aprendeu sobre PDCA, um método de gestão em quatro passos: planejar, fazer, checar e agir. Inaugurado em janeiro, o prédio da sede tem um andar exclusivo para treinamento de novos franqueados, cujo processo foi aperfeiçoado pelo PDCA. “Foi positivo quando o Sebrae aplicou isso na área do franchising”, destaca Corazza.

“Trazemos franqueadores de outras cidades para trocar ideias ou parceiros para dar dicas em rodas de conversas produtivas”, pontua Lisandro Corazza, da UPVET

A união do grupo também possibilitou a criação da Associação de Franqueadores e Empreendedores do Paraná (Afepar), da qual Lisandro ele é presidente. A associação surgiu quando marcas de Maringá que são referência no franchising, como Gela Boca, Roberto’s, Pamonhas do Cezar e a própria UPVET, passaram a trocar experiências, erros e acertos.
Os membros da Afepar se reúnem mensalmente de forma online ou híbrida, sempre com a participação de um convidado que possa atrair o interesse de todos os empresários, já que no grupo há negócios em diferentes estágios de maturidade. “Trazemos franqueadores de outras cidades para trocar ideias ou parceiros para dar dicas em rodas de conversas produtivas, onde trocamos dores e acertos”, informa. Assim, já foram discutidos formatação e gestão de franquias, busca de franqueados e treinamento da equipe.
Um dos desafios que as franquias enfrentam é ter franqueados que não se enquadram ao perfil da empresa e que eventualmente são eliminados da rede. No Empreender os empresários aprendem que o sucesso é mais rápido quando são escolhidos franqueados qualificados.

Aperfeiçoamento da gestão

Uma das dificuldades que Giancarlo Tozini Otani enfrentava era em relação à gestão do escritório Tozini e Armelin Advogados Associados, do qual é sócio. Como o problema era o mesmo de outros integrantes do Núcleo de Empretecos, o grupo investiu em capacitações. “Tivemos palestra sobre finanças e vendas. Em ambas aprendi processos que me ajudaram muito a melhorar a gestão, trazendo organização empresarial que antes não tínhamos no escritório”, comenta.

Giancarlo Tozini Otana participa do Empretecos, um grupo multissetorial que o ajudou a melhorar a gestão do escritório Tozini e Armelin Advogados Associados


Tozini passou a integrar o grupo da Associação Comercial em 2018. “Comecei a participar, porque gosto do debate sobre empreendedorismo e encontrei um local para networking e troca de ideias de alto nível”, explica. Para ele, outra mudança importante veio em relação à estratégia de marketing do escritório: depois de ouvir as dicas de colegas, a empresa ganhou mais visibilidade no meio digital, atraindo clientes.
Os cases apresentados nas reuniões mensais também ajudam a implantar melhorias na empresa. “Muitas vezes tocamos a empresa de acordo com o que achamos correto, e é bom ouvir pessoas que trazem outras visões para nossa vida e negócio”, relata. Como o grupo é multissetorial, os encontros ajudam, segundo Tozini, a valorizar as opiniões dos demais membros e a aplicar em sua empresa. “Como compartilhamos conhecimento de áreas diversas, tenho insights para minha empresa ouvindo pessoas diferentes”, elogia.
Para participar do Empreender não há custo, é preciso apenas ser associado da ACIM. Há quase 70 núcleos setoriais e multissetoriais, que contam com a participação de mil micro e pequenas empresas.