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Em movimento

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Natália da Silva Baptistela, líder financeira da Inttegra, voltou a praticar esporte depois que passou a fazer ginástica laboral: “percebi que meu corpo estava pedindo atividade física”

Se o objetivo é fazer os colaboradores se mexerem, a ginástica laboral acaba sendo o método mais fácil para que as empresas atinjam este objetivo. São aqueles 15 minutos em que todo mundo deixa o posto de trabalho, dá aquela esticada e – por que não? – descobre que está mais sedentário do que imaginava.

Foi assim com a líder financeira Natália da Silva Baptistela. Ela praticou handebol por anos e parou depois de uma lesão. Mesmo gostando de praticar esportes, foi deixando para depois, sempre colocando uma desculpa. No meio da acomodação, foram justamente aqueles 15 minutos semanais de ginástica laboral, na empresa onde trabalha, que a colocaram de volta aos trilhos de uma vida com movimento.

“Era uma das pessoas que não gostava de fazer ginástica laboral, fazia por obrigação. Mas aos poucos comecei a sentir que depois das aulas estava mais alongada, disposta e focada. Percebi que meu corpo estava pedindo atividade física. Tinha dores, não dormia direito, não comia direito e foi por meio da ginástica laboral que senti vontade de voltar para o esporte”, comemora.

Natália trabalha na Inttegra, que presta consultoria de gestão agropecuária para fazendas. Com exceção do pessoal que fica no campo, os colaboradores têm uma rotina de pouco movimento. A empresa tem 40 funcionários, sendo que a maior parte fica no escritório e passa bastante tempo sentada em frente ao computador. A ginástica laboral ocorre às segundas e quartas-feiras no período da tarde.

Hoje, Natália faz de tudo para não perder a aula. Depois de experimentar diversas modalidades, se encontrou no crossfit. “Vejo a ginástica laboral como algo importante para ter dentro das empresas. Depois de parar um pouco e se alongar, todos voltam ao trabalho concentrados e equilibrados, acredito que melhora até a função cognitiva”, diz.




Patrícia Moreira Fernandes, coordenadora da Dinâmica Saúde: “as empresas que nos contratam são as que os gestores se preocupam com a qualidade de vida dos colaboradores”

Os benefícios são atestados pela educadora física Patrícia Moreira Fernandes, que é coordenadora da Dinâmica Saúde e instrutora de ginástica laboral. “A prática é instrumento para diminuir até os casos de afastamento médico entre os funcionários. São exercícios que previnem doenças ocupacionais como Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Ortomoleculares Relacionados ao Trabalho (Dort) e promovem interação entre os colaboradores. Muitas pessoas despertam para a prática de exercícios físicos ao experimentar a ginástica laboral”, aponta.

A Dinâmica Saúde atende dez empresas. Patrícia relata que por causa da pandemia, muitas deixaram de contratar o serviço. As aulas duram 15 minutos e podem ser aplicadas de uma a cinco vezes por semana. Em algumas empresas os colaboradores se reúnem em um mesmo local para a atividade e em outras a instrutora passa em todos os setores. “As empresas que nos contratam são as que os gestores se preocupam com a qualidade de vida dos colaboradores, porque é um benefício e não obrigatório por lei”, ressalta.

 

Serviço sob medida

À primeira vista, a ginástica laboral parece ser simples, pois além dos alongamentos, traz dinâmicas e até brincadeiras para os colaboradores. Porém as atividades são definidas com base nas necessidades da empresa e dos funcionários. É o que explica o diretor da Labore, empresa de medicina e segurança do trabalho que também oferece ginástica laboral, George Luís Coelho Silva.

“O programa de ginástica laboral é desenhado com base no objetivo que levou a empresa a contratar o serviço. Na maioria dos casos a intenção é levar descontração e relaxamento em meio à tensão do trabalho. Mas também há empresas onde é necessário avaliar grupos musculares envolvidos na rotina dos trabalhadores, e aí  vamos levar alongamentos e exercícios de relaxamento que podem evitar contraturas e dores”, explica.

Coelho reforça que os profissionais que aplicam a ginástica laboral nas empresas também ajudam em campanhas de saúde como Outubro Rosa, levam alertas importantes de prevenção de doenças por meio de micropalestras ou em conversas com os colaboradores, quando eles perguntam sobre a prática de atividades físicas fora da empresa e a alimentação.

“A ginástica laboral não vai deixar ninguém mais forte ou substituir a prática regular de atividade física, mas é um momento de quebrar o ritmo intenso da semana. Isso aumenta a produtividade”, completa.

 

Para todas as empresas

A ginástica laboral não faz diferença só para quem trabalha muito tempo sentado, é essencial para quem passa tempo em pé ou faz movimentos repetitivos, como em linhas de produção. Na lavanderia hospitalar Lavebras, que faz a gestão e locação de enxovais para hospitais, os 210 funcionários se dividem em três turnos para dobrar e separar as peças.



“A ginástica laboral não vai deixar ninguém mais forte ou substituir a atividade física, mas é um momento de quebrar o ritmo”, diz George Coelho, da Labore

“Tínhamos muitos atestados por dores muscular, na coluna, ombro e no braço por causa do esforço do dia a dia. Antes da pandemia, tínhamos a ginástica laboral, que foi cancelada por motivos sanitários, e os colaboradores sempre pediam para voltar. Em 2022 reimplantamos uma vez na semana, sempre na segunda-feira para os turnos da manhã e da tarde”, relata a supervisora de RH, Josiane Bueno Silvestre.



“Tínhamos muitos atestados por dores muscular, na coluna, ombro e braço por causa do esforço do dia a dia”, conta Josiane Silvestre, da Lavebras

Os resultados não demoraram a aparecer. Os atestados diminuíram e a empolgação é tanta que os colaboradores até cobram reposição da aula quando um feriado cai na segunda-feira ou quando a atividade precisa ser adiada por atraso na produção.

Josiane conta que as atividades ligadas à ginástica também foram incorporadas a outras ações da empresa como a Semana Interna de Prevenção aos Acidentes de Trabalho (Sipat) e comemorações em datas festivas como Dia das Crianças e festas juninas. Outro benefício é quanto à interação entre os colaboradores por causa das atividades em dupla.  “Para nós deu bastante resultado”, conclui.

 

Quando o esporte vira trabalho

Esporte que vem ganhando adeptos, a corrida pode ser ótima opção para quem quer se exercitar gastando pouco dinheiro e muitas calorias. É possível notar que o interesse vem aumentando justamente pelo número crescente de inscritos nas competições. Este ano a Prova Rústica Tiradentes, a mais famosa de Maringá, alcançou seis mil inscritos.



Sandro Cabral uniu a paixão pela corrida à fotografia com o Eucorro.com, que faz a cobertura fotográfica de provas do esporte

Corredor apaixonado por fotografia, Sandro Cabral conseguiu unir as duas paixões e transformá-las em um negócio. “Nosso trabalho é fazer a cobertura fotográfica de corridas de rua e disponibilizar essas fotos para os atletas. O participante acessa o site, busca a imagem e faz a compra”, explica. Sandro criou o Eucorro.com junto ao amigo Carlos Novais, que ajudou no início, mas durante a pandemia pediu para deixar o projeto. 

O portal ficou conhecido entre os corredores da região, mas o começo da história foi despretensioso. Como era difícil encontrar informações sobre as corridas, ele criou um blog para disponibilizar as informações e fazia uma espécie de cobertura do evento. “Publicava um texto sobre como tinha sido a prova e os vencedores com algumas fotos. Aos poucos fomos criando uma identidade em Maringá. Comecei com uma máquina fotográfica básica, com pouco conhecimento de fotografia. Mais tarde fiz cursos e hoje cubro eventos em várias cidades do Norte e Noroeste do Paraná”, revela.

Nos primeiros trabalhos, ele costumava ser contratado pelos organizadores, que disponibilizavam gratuitamente as fotos na internet. Isso era possível porque as provas tinham de 200 a 300 competidores. Como as corridas passaram a reunir milhares de pessoas, Sandro explica que fica inviável para uma empresa ou entidade pagar por todas as fotos.

Foi então em 2013 que o empresário começou a cobrar pelas fotos no site. “Meu trabalho como fotógrafo se restringia às provas do Sesc e a Tiradentes. Hoje são mais corridas, tem até as promovidas por redes de supermercados. Em algumas cidades esses eventos duram de dois a quatro dias, o que mostra o crescimento do esporte. É um mercado que atrai gente de outras cidades, movimentando a rede hoteleira, o setor de alimentação e a economia como um todo”, destaca.

O que ele ganha com o site Eucorro.com não é o suficiente para se dedicar exclusivamente ao trabalho, mas é um complemento de renda. “É um sonho viver de duas grandes paixões, a corrida e a fotografia”.


Tropeço da pandemia

Para Sandro, o interesse crescente pela corrida de rua só desacelerou por causa da pandemia, mas o retorno às competições em Maringá tem ganhado força no segundo semestre. “Muita gente migrou para outros esportes, como a bicicleta. Outras pessoas simplesmente perderam a motivação e para voltar, é necessário tempo e retomada de treinos. Alguns perderam condicionamento, ganharam peso e dá trabalho voltar”, aponta. 

O próprio Sandro teve uma lesão recente e conta que está com dificuldade de retornar às corridas, por enquanto está focando em um trabalho de fortalecimento muscular. Sobre participar de provas e ao mesmo tempo fotografar, ele revela que gosta de correr, de treinar, mesmo sem o objetivo de competir. Por isso escolhe a corrida que deseja participar como corredor e aí fica disponível para trabalhar nas outras.

 

Para começar na corrida

A Associação dos Corredores de Rua de Maringá (Acorremar) ensina a técnica de corrida sem cobrar nada. As aulas são às terças e quintas-feiras das 19h às 21h no Estádio Regional Willie Davis. Os interessados só precisam aparecer nos treinos.

As aulas são para iniciantes, praticantes e atletas semiprofissionais. Também é possível se associar à Acorremar, que tem 150 filiados.