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Antes do perigo bater à porta

Antes do perigo bater à porta

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A família Otomura faz parte de um dos quase 600 mil lares brasileiros que perdeu um dos integrantes devido a complicações pela covid-19. O patriarca Flávio Koiti Otomura, proprietário da tradicional Flávio Joalheiros, contraiu o vírus em março, junto à esposa, Olga. Nos primeiros dias, Olga estava pior e era Flávio, inclusive, quem cuidava dela. Com o passar dos dias, a situação se inverteu: ela começou a melhorar e ele piorou. “No dia em que minha mãe saiu do hospital, meu pai foi entubado”, lembra o filho do casal, o veterinário Flávio Haragushiku Otomura. Em 8 de abril, o habilidoso joalheiro faleceu, aos 68 anos, depois de lutar por mais de 30 dias contra a doença.

Com a morte do patriarca, o filho Flávio conta que não tinha mais o porquê manter a Flávio Joalheiros aberta. “Minha mãe ainda se recupera das sequelas, eu e minha irmã moramos em outra cidade. Meu pai era o coração, era tudo na empresa”, conta emocionado.

Em meio à perda que assolou à família depois de enterrar o patriarca, um alento: Flávio Otomura possuía seguro de vida, que ajudou a família a se organizar nos primeiros meses após o falecimento. “Minha mãe sabia do seguro e esse dinheiro deu um respiro, organizarmos as contas da casa e da empresa que foi fechada”, relata o veterinário.

Para ele, assim como para o pai falecido, o seguro de vida sempre foi prioridade, ainda mais depois que as duas filhas nasceram. “Meu seguro foi feito em seguida ao nascimento da primeira filha. Sentia a necessidade de dar mais segurança para minha família, vivenciei e comprovei a diferença que faz um seguro nestes momentos difíceis da vida”, enfatiza.

De acordo com a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), de abril de 2020 a maio de 2021 mais de 58 mil sinistros foram pagos, sendo quase 35 mil apenas nos cinco primeiros meses do ano. Os pagamentos chegam a R$ 2,6 bilhões. Ainda de acordo com a federação, as contratações individuais de seguro de vida cresceram 26% em 2020 em relação ao ano anterior. No primeiro bimestre de 2021 o crescimento se manteve – 24,9% em relação ao mesmo período de 2020.

“O que mais impactou e mudou a forma das pessoas avaliarem um seguro foram as mortes por covid. A morte ficou próxima, dentro de nossas casas, e a procura, tanto física quanto jurídica, por seguro de vida aumentou muito. É uma segurança a mais frente à pandemia”, salienta o superintendente comercial e marketing da Sancor Seguros, Rosimario Correia Pacheco. 

Pacheco explica que, no Brasil, as apólices de seguro de vida não tinham, até então, a cobertura de pandemias, ou seja, eventos cujos riscos são impossíveis de serem calculados. No entanto, desde a primeira onda de contágio, as seguradoras entraram em um consenso e optaram por indenizar pessoas acometidas pela doença. “Quem imaginaria que a pandemia se estenderia por tanto tempo? O baque para as seguradoras foi e continua sendo grande, mas seguimos com a cobertura, até para amenizar a dor das famílias”.

Apesar dos custos elevados, a expectativa é de recuperação a partir de 2022. A boa notícia é a conscientização da população. “A pandemia mostrou a importância de seguro de vida, de saúde, de proteger famílias e funcionários”, comenta o superintendente.


Uma das novidades é o seguro para riscos cibernéticos e vazamento de dados: “se as informações caem em mãos erradas, a responsabilidade é da empresa”, diz o corretor Vagner Fabrício 

O corretor Vagner Fabrício, da Brício Administradora e corretora de seguros, e delegado regional do Sindicato dos Corretores de Seguro do Paraná (Sincor), confirma: a vontade de se precaver é maior no novo cenário. “O medo da morte entrou em praticamente todos os lares, tivemos empresários que faleceram e a família teve dificuldade para seguir com os negócios. Acompanhamos isso de perto e, nesta hora, o seguro salvou negócios e ajudou famílias”. Ele explica que o seguro não entra em inventário, por isso, a facilidade e agilidade para receber a indenização sem burocracia.

Vagner Fabrício faz parte do Núcleo de Corretores de Seguros que existe na ACIM há 12 anos. São 16 corretores trabalhando para o crescimento do setor e “pensando fora da caixa”, como ele define. E foi por pensarem além que desde 2018 o núcleo possui uma corretora própria – é a NSSeg Corretora de Seguros – que atende associados da ACIM, corretores de seguros de toda Maringá e região, e a própria ACIM. “Damos o apoio necessário para os corretores”, destaca o gestor da NSSeg, Marck Chrystopher Treichel.


NSSeg Corretora de Seguros atende associados da ACIM e corretores da região, conta o gestor Marck Chrystopher Treichel

LGPD

Uma das novidades do setor é o seguro para riscos cibernéticos e vazamento de dados, necessário com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – lei nº 13.709/2018. Desde 1º de agosto as multas para quem descumpre a lei passaram a vigorar. Quem infringir a legislação poderá ser multado em até 2% do faturamento, limitado a R$ 50 milhões por infração.

“A Lei Geral foi criada para proteger o cidadão, e os seguros são importantes para quem armazena dados. Se essas informações caem em mãos erradas, a responsabilidade é da empresa. A multa é pesada, os custos para a contenção são altos. Empresas podem fechar, caso a lei não seja cumprida. É preocupante”, comenta Fabrício.

Marck informa que a procura pela nova modalidade é grande, com aumento de mais de 300%. “Muitas empresas estão procurando e com pressa na contratação. Todo CNPJ vai ter que começar a pensar nisso, independente do porte. Toda empresa que armazena dados de terceiros corre riscos”. Ele explica que, em muitos casos, é necessário adequar a empresa, e todo o suporte é dado pela NSSeg. “O seguro em si dá uma proteção ampla para sequestro e vazamento de dados, lucro cessante, mas é necessária estrutura mínima, porque a maioria dos casos de vazamento de dados envolve falha humana, então, é preciso adequações e treinamento”.

O gestor destaca a importância da cotação. “A própria cotação é um filtro para saber o quanto a empresa está exposta e nela detalhamos o que precisa ser feito”. O valor do seguro depende de fatores como faturamento, tamanho da empresa, sistema de contingência implantada e o setor de atuação. “Segmentos de TI e saúde estão muito expostos a hacker. Laboratório de análises clínicas também, porque depende 100% do sistema para funcionar, daí o valor acompanha a exposição do risco a incidentes, o que acaba implicando no aumento do custo do seguro”.


Agronegócio

No agronegócio os seguros são prioridades. Com as instabilidades climáticas, se precaver é uma necessidade. De acordo com Pacheco, da Sancor, o segmento requer monitoramento constante. “Trabalhamos em cima de planejamentos e previsões climáticas para saber qual cultura podemos oferecer mais ou menos coberturas, mas para a seguradora é um risco, literalmente, a céu aberto. Podemos olhar históricos, saber onde podemos ser flexíveis, mas as instabilidades são constantes para nós, seguradoras”.

A seca do primeiro semestre trouxe grande impacto na cultura do milho safrinha no norte e noroeste do Paraná, assim como as geadas recentes no Rio Grande do Sul, aumentando, assim, o número de indenizações. “Normalmente as perdas estão atreladas a catástrofes, não é algo recorrente. O que aconteceu neste ano pode não acontecer no próximo. As avaliações são complexas”. 

Mesmo com as instabilidades e perdas para as seguradoras, o superintendente avalia o mercado do agro importante e crescente. “O caminho é diversificar regiões, culturas. Ter boa análise do contexto das peculiaridades de cada região é fundamental. Hoje 50% dos seguros de agro são vendidos no sul do país, e estes são números que as seguradoras buscam ampliar e diversificar”.


Por que contratar

A pandemia fez aumentar a busca por seguros patrimoniais, que cobre reparos e melhorias das casas. “O fato das pessoas ficarem em casa mais tempo, com o home office, fez com que as assistências atreladas fossem mais utilizadas e, portanto, valorizadas. São reparos necessários que, sem o seguro, custariam mais para o proprietário do imóvel”, destaca Pacheco.

O produto também é importante para pessoas jurídicas. “Na hora da contratação do seguro, os corretores dão as orientações e as precauções para a proteção do patrimônio, porque uma empresa fechada é prejuízo para toda a sociedade”, aponta Fabrício. 

O gestor da NSSeg Corretora de Seguros, Marck Chrystopher Treichel, finaliza: “é a garantia de uma proteção capaz de cobrir as despesas necessárias e imediatas, que ocorrem devido a um imprevisto”.